LENÇOS

 

Elas nasceram para portar lenços

que voavam no vento.

Era o que eles diziam sempre.

Os lenços flutuavam suaves

como aves leves

e sugeriam brancas nuvens

dispersas na tarde.

Eles gostavam de olhar os lenços

e de olhar por elas (eles achavam)

pra tudo que os rodeava e vivia

em seu mundo vazio.

Elas nasceram para portar lenços

(eles pensavam),

lenços finos, claros, delicados,

que um dia elas soltaram, vivazes,

de suas gargantas arfantes

e com mãos ferozes, vorazes,

nos pescoços deles ataram

e puxaram tanto, implacáveis,

que ficaram sozinhas na estrada.

 

Uma estrada deserta, sem lenços,

pra poder começar a viver.

 

 

 

 

 

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