Wizard of Oz 01

Imagem do filme O mágico de Oz

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As torres de Angkor Wat, “Cidade dos Templos”, elevam-se no meio da floresta tropical.

   Banheiro feminino no colégio. Muita gente escovando os dentes, se pintando, dando uns retoques pra começar a tarde. Saindo do sanitário, escuto a frase: “Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa”. Alerta vermelho! Frase virginiana! Nem sei a que se referia. Peguei o bonde andando e me meti onde não fui chamada, como faço às vezes. “Mas… as coisas não todas misturadas? Não tá tudo junto? As próprias pessoas…” E até citei Guimarães Rosa que disse alguma coisa assim de um jeito bem melhor que o meu. Ficamos eu e a Córa e seguiu o papo. Até contei pra ela um caso meio escabroso de “coisa misturada”… Nisso começou um vento tão forte que chegou a abrir a porta do banheiro. Fui fechá-la e de repente nos vimos no meio de um torvelinho, o pé de vento parecendo um verdadeiro ciclone, sugando e fazendo voar tudo que havia no banheiro, nós duas, inclusive! Giramos feito loucas durante alguns segundos no túnel de vento, a Córa ainda agarrada na bolsa, as minhas chaves e sapatos jogados pra longe. Me veio à mente a história do mágico de Oz. Será que quando aquilo parasse a gente ia chegar à Estrada de Tijolos Amarelos? Acabamos pousando num telhado estranhíssimo, nos olhando como duas aves assustadas.

– Mas… o que é isso?

– Será que a gente tá muito longe da Restinga?

– Córa, tem certeza que tua pasta de dentes não era alucinógena?

– Mas eu só estava passando o delineador…

   Olhei ao redor. O lugar lembrava uma foto que eu tinha visto do Cambodja, lá no colégio mesmo, com umas torres diferentes de tudo que eu conhecia. Mas pensei na Tailândia também. Enfim, Restinga, Cambodja, Tailândia não tá misturado e parecido?

– Sora, terminei a dissertação! Dá uma olhada… Era o Wesley me chamando, me trazendo àquela realidade. Em quantas dava pra viver ao mesmo tempo? O Leonardo já tinha posto meu casaquinho de linha e meus óculos escuros. As gurias tentavam fotografá-lo, enquanto ele executava movimentos de macaco. Professora viajante: zorra total na sala.

          Na rua, o vento tinha parado.

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